sábado, 16 de agosto de 2025

livro luz lagrima liberdade libélula

 


 

:: alma mais cansada que bailarinas de degas alma translúcida de luz eternizada por pinceis alma desgastada de pingar como vela acesa o que pode ser apenas lagrimas pelas mariposas mortas e cegas pela luz viver e magoar corações e ferir a cada manhã mesmo sem querer viver com a liberdade atada presume ir cortando gargantas com nossa navalha e viver não traz candura como insistem os livros sagrados viver soa como sino de igreja na hora da elegia um morto a cada toque do ângelus um morto por dia para que um homem tenha a audácia de ser livre e isto soa triste e parece e é... o que se pode fazer se um homem livre mata uma pessoa por dia e pode até que seja ele mesmo enquanto os não libertos demolem aldeias inteiras escravizam órfãos incineram os pátios da esperança um homem escravizado fecha as portas e as comportas das fontes de água e ergue barricadas ao redor do verde e impede o casamento das libélulas e o voo de algum pássaro raro um homem livre existe a cada milhão e o homem aprisionado a gente encontra a cada esquina mais de cem em cada quadrante de quinhentos metros milhões em um estádio dezenas na coxia das estrelas a estender a perna a cada estrela que sai do palco vestida de bailarina com os pinceis de degas flanando ainda ao redor ::


Bárbara Lia

Todas as tardes de maio serão tuas

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