:: alma mais cansada que
bailarinas de degas alma translúcida
de luz eternizada por pinceis alma desgastada de pingar como vela acesa o que
pode ser apenas lagrimas pelas mariposas mortas e cegas pela luz viver e magoar
corações e ferir a cada manhã mesmo sem querer viver com a liberdade atada
presume ir cortando gargantas com nossa navalha e viver não traz candura como
insistem os livros sagrados viver soa como sino de igreja na hora da elegia um
morto a cada toque do ângelus um morto por dia para que um homem tenha a
audácia de ser livre e isto soa triste e parece e é... o que se pode fazer se
um homem livre mata uma pessoa por dia e pode até que seja ele mesmo enquanto
os não libertos demolem aldeias inteiras escravizam órfãos incineram os pátios
da esperança um homem escravizado fecha as portas e as comportas das fontes de
água e ergue barricadas ao redor do verde e impede o casamento das libélulas e
o voo de algum pássaro raro um homem livre existe a cada milhão e o homem
aprisionado a gente encontra a cada esquina mais de cem em cada quadrante de
quinhentos metros milhões em um estádio dezenas na coxia das estrelas a
estender a perna a cada estrela que sai do palco vestida de bailarina com os
pinceis de degas flanando ainda ao
redor ::
Bárbara Lia
Todas as tardes de maio serão tuas

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