:: para dar-te eu tenho apenas a vida e tudo que sou cabe dentro da minha pele e tudo que guardei na vida foi dentro desta carcaça que o tempo vai tornar cada dia uma espécie de altar transitório onde depositaram beijos e escarros onde pousaram olhos de amantes filhos e inimigos onde buscaram entre a cortina do meu olhar os segredos que quero dar apenas a ti e eu sou tudo que resta da minha própria vida sem cerimônia de leitura de testamento sem necessidade de partilhar os bens da falecida sem nada que não seja – ainda que constituído de matéria – apenas estes livros estas palavras este canto este grito este desejo estas epístolas virtuais reais e tudo o que pode flanar fora de mim acaba por ser eu mesma então – amor - levo comigo toda minha vida quando acabar minha vida - antes do fim - guarde para mim algumas horas de risos e memórias um encontro de carne e gozo insubmisso dos que viveram como nós vivemos olha-me com a mesma mirada alucinante qual aquela que atiravas no salão petrificado no tempo asséptico de funcionários guarde também apenas para que eu jamais esqueça – na eternidade - uma lasca da ametista dos teus olhos raros ::
Bárbara Lia
Todas as tardes de maio serão tuas

Nenhum comentário:
Postar um comentário