sábado, 16 de agosto de 2025

fat man – fatwa - fé – fevereiros - falácia – fevereiro

 


Quarenta mil morreram em Nagasaki: Fat man ao chão. Era agosto - momento da bestialidade humana e a bestialidade humana proclama a ausência de um ser maior. Quando penso que és ateu nenhuma luz pisca dentro de mim como pisca quando – apesar de todo amor – evocamos o defeito do amado e sempre tem a luz a piscar e nossa alma a virar de costas para o alerta. Em um mundo onde milhares de inocentes morrem em um único agosto, Deus não há. E lembrar que naqueles dias - em outro lugar no mesmo Japão - outra bomba maior. Então, quando penso: . Eu me apego ao que minha mãe sentia como se fosse uma herdada, pois ainda estou a buscar Deus e em alguns dias eu penso que Ele há de existir, pois há a poesia. No entanto, basta parar diante de alguma tela e Deus evapora como aquelas pequenas geadas da infância que não duravam nem o tempo do café da manhã. Eu viro – outra vez – incrédula. Principalmente em fevereiros. Talvez por isto o amor plantado, há décadas, por ti precisava nascer em um fevereiro como nasceram papoulas no Japão depois da terra devastada. E se existir algo que se aproxima de Deus tem este nome – Amor. Então Deus é um sentimento não é um ser. Deus é aquilo que nasce dentro da gente quando somos bons. Não há como emitir uma lei como os islâmicos – fatwa definitiva: Deus existe! Eu adoraria crer. Ter a certeza de que Ele não é uma falácia. A tua crença na falta de um deus apenas ilumina-te e fico com o coração fevereiro de papoulas renascidas, a te amar.

  

Bárbara Lia

Todas as tardes de maio serão tuas

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