Quarenta
mil morreram em Nagasaki: Fat man
ao chão. Era agosto - momento da bestialidade humana e a bestialidade humana
proclama a ausência de um ser maior. Quando penso que és ateu nenhuma luz pisca dentro de mim
como pisca quando – apesar de todo amor – evocamos o defeito do amado e sempre
tem a luz a piscar e nossa alma a virar de costas para o alerta. Em um mundo
onde milhares de inocentes morrem em um único agosto, Deus não há. E lembrar
que naqueles dias - em outro lugar no mesmo Japão - outra bomba maior. Então,
quando penso: fé. Eu me apego ao que
minha mãe sentia como se fosse uma fé
herdada, pois ainda estou a buscar Deus e em alguns dias eu penso que Ele há de
existir, pois há a poesia. No entanto, basta parar diante de alguma tela e Deus
evapora como aquelas pequenas geadas da infância que não duravam nem o tempo do
café da manhã. Eu viro – outra vez – incrédula. Principalmente em fevereiros. Talvez por isto o amor
plantado, há décadas, por ti precisava nascer em um fevereiro como nasceram papoulas no Japão depois da terra
devastada. E se existir algo que se aproxima de Deus tem este nome – Amor.
Então Deus é um sentimento não é um ser. Deus é aquilo que nasce dentro da
gente quando somos bons. Não há como emitir uma lei como os islâmicos – fatwa definitiva: Deus existe!
Eu adoraria crer. Ter a certeza de que Ele não é uma falácia. A tua crença na falta de um deus apenas ilumina-te e fico
com o coração fevereiro de papoulas
renascidas, a te amar.

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