Amor impressionista. Campo de papoulas de Monet - incendiada flor - imprime a
urgência de um corpo pele dourada e cabelos de trigo de frente para o sol de
costas para todo inimigo ao lado das
crianças e ao lado do vento. Este homem ao ar transmudou a cor cinza em imitação de luz ao redor. O que ele
toca lembra Midas e lendas que o pai contava. O pai falava de um príncipe que
atravessava a floresta e deparava com um castelo com heras pelos muros e uma
princesa adormecida. Metáfora do impressionante
caminho nosso. Era invisível aos
meus olhos e, ao mesmo tempo, impresso nunca
apagado naquela tela petrificada. Ver e não ver. Passar pelo amado sem notar e
apenas gravar um olhar. E o pai a alertar aquela possibilidade de estar
dormindo quando o amor chega, qual naquele filme com Sarah Polley onde ela -
cansada da vida e da rotina - adormece na lavanderia e chega o Mark Ruffalo e
puxa uma cadeira para admirá-la. Quantos amores imortais se perderam na esquina desatenta sem uma seta - como
mouse na tela a ordenar: clique aqui e entre na página que buscas. Amor não é
nada disso que aparece na novela e por isso mesmo o amor impera como a última quimera. O imprescindível segredo. Sim, eu dormia quando te encontrei. Cansada
da casa da roupa da batalha. Não te vi debruçado a esmiuçar-me qual na cena do
filme no tempo em que vivi minha vida sem
mim... Agora que me pertenço pertenças a mim - o homem no campo de luzes - como
aquele príncipe que o pai dizia. Ainda que tu venhas sem cavalo e sem castelos
de pedra e sem missão de salvar donzelas. Eu sou apenas uma mulher e donzela
não tem charme. A vida tem, sim, a vida tem e imprime enredos com mais suspense que os de Agatha Christie.
Bárbara Lia
Todas as tardes de maio serão tuas

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