sábado, 16 de agosto de 2025

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:: o corpo antigo atravessou o sonho o corpo de pele dourada sobre o branco que deixa aquela nuance de brilho fosco de sol vazando por entre poros pele claríssima quando açoitada de raios renasce rósea maçã do paraíso ou de lábio virginal nunca beijado quiçá a estrutura da primeira aurora adormece em ti e te transforma em lençol alvo aquecido de sol a cobrir-me neste pálido amanhecer que é teu corpo e beber as ultimas labaredas como quem encontra a energia para aquela reta estendida além da vida pois não temos vida a não ser além da vida não somos nada antes de alcançar a linha do sol dizem que o horizonte paira inatingível e sei que amar-te é tocar a linha do horizonte ou encontrar aquele pote de ouro propalado ou apenas deitar de costas em um páramo de petúnias ou campo de papoulas e cerrar pupilas e penetrar o passado e pescar aquelas manhãs de antes e as tardes no lusco fusco do presídio autarquia de pessoas sequestradas para ver o rosto o olhar e ouvir a voz e beber o sorriso, sempre o sorriso ::


Bárbara Lia

Todas as tardes de maio serão tuas

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