sábado, 16 de agosto de 2025

sáfaro

 


:: todo o tempo sem a tua pele e todas as manhãs sem o teu bom dia e aquela sensação que eu nem sabia enquanto o mundo girava e tudo acontecia menos o essencial menos você que já estava na minha vida e eu nem sabia e nomear este estio virulento esta esterilidade abrupta e este tempo sáfaro vai ser sempre estranho como naquelas gravuras onde uma silhueta vazada permeia a cena estarás sempre ali como um presságio ou o tudo que eu não via que eu não vi e chorar isso vai ser jogar de novo o tempo pelo ralo então eu calo então eu calo o tempo do estio bravio os anos sáfaros em que estavas em mim e – ao mesmo tempo - ausente na superfície das coisas pétreas ::

Bárbara Lia

Todas as tardes de maio serão tuas


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